Os avanços da (neuro)ciência

As técnicas de neuroimagem vêm tentando encontrar mecanismos cerebrais que admitam o funcionamento da mente com base na observação das áreas ativadas enquanto o sujeito está pensando em algo. O neuroimageamento cerebral é uma das apostas da neurociência, pois ela viria corroborar experimentalmente o que as discussões filosóficas têm apostado suas fichas: compreender o funcionamento da mente enquanto matéria.

Eis então que surgem

A tomografia computadorizada (TC), a tomografia por emissão de pósitrons (PET), e a ressonância magnética funcional (RMf) apenas para citar algumas.

Estas são três das muitas técnicas de imageamento cerebral que estão cada vez mais em uso por pesquisadores e principalmente por neurologistas. Há muito tempo os cientistas mal visavam este tipo de tecnologia que ajudasse a desvendar “os mistérios da mente humana”. Psicólogos, neuropsicólogos, psiquiatras e neurocirurgiões estavam sempre ávidos por mais uma descoberta sobre o cérebro a partir dos aparelhos e toda a parafernália da época, mas ainda eram técnicas bastante limitadas e isso restringia muito o tipo de tratamento a ser realizado, além de serem invasivas (como a trepanação).

Assim, é importante ressaltar que os novos métodos além de não serem invasivos, ou seja, não necessitar do uso de substâncias tóxicas que atinjam o sistema nervoso central e dispensar a abertura do crânio, nos dão imagens precisas, obtidas por computador, e permitem distinguir diferentes regiões corticais e subcorticais. Isso tem auxiliado muito o estudo do cérebro humano sadio ou com algum estado de comprometimento, mas, sobretudo, tem amparado cientistas em geral a relacionar os principais conceitos cognitivos ao comportamento humano.

Imagem

Vou discorrer alguns detalhes sobre os três métodos acima mencionados e mostrar o caminho deslumbrante que estamos percorrendo:

TC: É uma técnica que emprega raios-X capaz de produzir feixes bastante estreitos que percorrem ponto a ponto a área a ser visualizada, permitindo medir a radiodensidade de cada ponto. A visualização é feita em uma tela de computador. Permite ainda identificar sangue, líquor e tecido nervoso, obtendo-se uma boa visualização de áreas maiores de substância branca e cinzenta.

PET: Pessoas que são submetidas a esta técnica recebem uma injeção de isótopos (átomos) que emitem pósitrons, como o flúor, por exemplo. As alterações do fluxo sanguíneo são detectadas ao se medirem alterações na captação de glicose ou oxigênio. É possível mapear a distribuição do fluxo durante a execução de tarefas, ou seja, localizar áreas corticais ativadas quando o indivíduo recebe um estímulo sensorial ou quando realiza um movimento.

RMf: Considerada uma das técnicas mais modernas que permite o mapeamento da função cerebral. Uma vez que o computador mapeia as alterações medidas dos átomos cerebrais, com esse tipo de procedimento é possível visualizar imagens do cérebro em funcionamento durante a execução de tarefas.

Agora lanço uma pergunta: o que esperar dos próximos 20 anos ou nem isso? Posso dizer com certa convicção que além de descobrirmos cientificamente com mais minuciosidade áreas cerebrais ativadas, iremos desvendar os pensamentos, sentimentos, emoções e talvez até sua intensidade.

Isso me lembrou uma frase que li há muito tempo:

“A mente é uma expressão do cérebro, em um diferente nível, mas sempre uma expressão. Não importa o que a mente faça, o cérebro faz melhor, e não importa o que a mente faça, o cérebro já fez, também, do seu próprio jeito.”

Fonte auxiliar: MACHADO, Angelo.(1998). Neuroanatomia funcional. 2ª ed. Atheneu: São Paulo.

3 pensamentos sobre “Os avanços da (neuro)ciência

  1. Se pensarmos em tudo que a ciência produziu no último século, podemos garantir com muita segurança que muita coisa ainda há de vir. Apesar de todos os problemas e dificuldades que a atividade científica enfrenta, eu ainda prefiro acreditar que dentre os âmbitos do saber, ela é a que nos oferece maior confiabilidade.

    E como jornalista, parabenizo este blog pela qualidade dos textos apresentados. Diante da grande visibilidade pública que a ciência adquiriu no último século, cresceram também o número de produtos que se destinam à divulgação científica. O problema, é que muitos desses produtos ou tendem a ver a ciência como mais incerta do que ela realmente é, ou tratá-la como mais potente do que ela é.

    Por isso, ressalto a importância da criação de espaços como este blog, que se destinam a tratar a atividade científica com seriedade, ética e responsabilidade.

    Grande abraço,
    Rafaela Sandrini

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