A memória nossa de cada dia

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Ouso começar esse texto lançando um desafio para vós leitores curiosos pelo tema: tente lembrar o que você comeu hoje na hora do almoço. Lembrou, né? Agora tente lembrar o que você almoçou na terça-feira da semana passada. É provável que você lembre se fizer uma retrospectiva ou se tem uma dieta restritiva. Pois bem, agora tente se recordar o que foi que você jantou na segunda-feira do dia 18 de junho. Agora sim, praticamente impossível, a não ser que ironicamente neste dia você foi a um jantar de negócios ou a comemoração de aniversário de um amigo.

Nossa memória funciona dessa forma simplesmente porque ela é SAUDÁVEL. Digo sem sombra de dúvidas de que nossa memória é boa, embora falível.

Diariamente ouço as pessoas falarem com grande preocupação de que suas memórias estão péssimas, pois não lembram onde puseram as chaves do carro, os óculos de grau ou o jornal que compraram na banca.  Este tipo de evento acontece corriqueiramente com a maioria das pessoas porque esquecemos para poder lembrar. Isto equivale a dizer que não é importante que saibamos onde deixamos o carro parado no estacionamento do shopping na semana passada, tampouco é importante sabermos o que comemos há três ou quatro dias atrás. Precisamos poupar energia para o que é importante e nosso cérebro é esperto o suficiente para isso.

O cérebro em condições normais possui a função inata de selecionar ou filtrar os estímulos que são realmente importantes para nós. Nossa atenção se volta para o que nos é mais interessante, nossa percepção aumenta sobre o evento observado e nossa memória trata de codificar a informação, armazenando-a com cuidado para mais tarde podermos fazer uso daquela informação, ou seja, evocando-a.

O conceito de memória basicamente é este como supracitado: “capacidade ou habilidade de adquirir, armazenar e evocar as informações”. Inerentemente a este conceito as fases ou estágios da memória seguem exatamente este percurso. Primeiro se codifica ou adquire a informação; depois consolidamos ou armazenamos, e por último, recuperamos ou evocamos.

Após este conceito ter ficado bastante claro para os pesquisadores e neurocientistas tornou-se mais produtivo desenvolver experimentos que confirmassem os diversos tipos de memória que animais e humanos possuem.

Apenas para citar alguns tipos e divisões da memória:

Memória explícita e implícita

Memória retrospectiva e prospectiva

Memória retrógrada e anterógrada

Memória operacional

Memória emocional

Pode parecer um pouco confuso falar em tipos de memória, mas o que precisa ficar claro é o conceito geral da memória como eixo regulador dos demais conceitos. A princípio, basta saber que a compreensão de cada um deles nos ajuda a entender o cérebro em estado normal e patológico, bem como a relacionar as estruturas cerebrais responsáveis por cada função.

Sem mais delongas para não sobrecarregar vossas cérebros, próximo post será dedicado a descrição de uma condição há muito tempo estudada e que tem trazido à tona discussões interessantes acerca dos processos de memória: a amnésia. Por enquanto cuidemos apenas de esquecer para lembrar.

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