O papel da Reabilitação Neuropsicológica – parte I

Um dos objetivos deste blog, além de estabelecer uma comunicação com o público interessado por meio da divulgação científica é também poder compartilhar as experiências que tenho tido no Serviço de Reabilitação ao Adulto com Lesão Encefálica Adquirida (REAB) do Centro Paulista de Neuropsicologia/CPN. Quase dois anos fazendo parte da equipe, cada novo paciente que chega ao nosso serviço é considerado um novo aprendizado e também um desafio.  Diversos são os casos que são encaminhados ao REAB, desde pacientes com Encefalopatia, AVC-isquêmico, AVC-hemorrágico, até os comuns Traumatismos Cranianos.

Minha experiência não é nada vasta, eu até diria que é uma experiência bastante infantil perto das pessoas que fundaram e desenvolveram este serviço. São mais de 10 longos anos de muito trabalho, estudo, pesquisa e mais recentemente, de divulgação do que foi aprendido até aqui (ah, como tenho orgulho de poder fazer parte desta equipe!).

Bem, por isso, irei discorrer brevemente sobre o papel da Reabilitação Neuropsicológica.

Como sempre, antes de tudo é preciso definir este conceito.

“Reabilitação Neuropsicológica é definida como um tratamento que visa manter e resgatar a qualidade de vida e a autonomia da pessoa assistida. Tem como objetivo compensar, diminuir, reduzir ou contornar os déficits cognitivos, além de capacitar pacientes e familiares a lidar com as dificuldades funcionais decorrentes de lesão cerebral.”

Este é um conceito mais amplo e que foi desenvolvido por uma das principais pesquisadoras na área de reabilitação (Bárbara Wilson, 1996).

Pela definição, fica evidente que a reabilitação é direcionada ao paciente com lesão e aos seus familiares. Costumamos dizer que é muito difícil reabilitar alguém sem o acompanhamento de um familiar ou cuidador. Dependendo das consequências cognitivas após uma lesão, o trabalho do neuropsicólogo seria inviável sem um monitoramento adequado. Por exemplo, pacientes que após um TCE apresentam problemas sérios de memória e de funcionamento executivo. Não lembram do que já fizeram ou falaram, demonstram desorganização, falta de planejamento e dificuldade na execução de tarefas simples, principalmente aquelas relacionadas ao dia a dia, como escovar os dentes, arrumar a cama, comer, lidar com dinheiro, etc. Cada paciente possui um prejuízo específico e é por isso também que o papel da reabilitação é procurar compreender o funcionamento individual do paciente para “personalizar” suas intervenções. Isto equivale a dizer que “o que serve a um não serve ao outro”.

Tendo em vista que estes prejuízos cognitivos e comportamentais decorrentes da lesão cerebral em sua maioria são permanentes, cabe ao neuropsicólogo um trabalho que vise compensar estes déficits em busca de maior autonomia e compreensão desta nova identidade do paciente.

Para finalizar a primeira parte sobre o assunto, me peguei pensando: casos como os que atendemos no REAB são aqueles que encontramos em livros, artigos, manuais, enfim. São casos difíceis de acreditar, mas eles existem. E é nosso papel encontrar um denominador comum que vise aperfeiçoar o trabalho de reabilitação.

5 pensamentos sobre “O papel da Reabilitação Neuropsicológica – parte I

  1. Lú,

    o seu blog está show de bola!!! Textos claros e muito informativos…
    Estou curiosa para ler os próximos, esse sobre Reabilitação ficou ótimo!
    Mas saiba que é a equipe REAB que tem muito orgulho de você, profissional super competente e determinada… Parabéns pelo blog!!! Bjos

  2. Dé, para mim é uma honra trabalhar com vocês! Aprendo cada vez mais sobre avaliação, reabilitação e acima de tudo, sobre como é bom cuidar do ser humano. Continue acompanhando o blog, pois será um prazer ter leitores como você. Beijão!

  3. Olá! Sou psicóloga e gostaria de usar esta citação de Bábara Wilson no meu artigo. Vc tem a referência completa?

    • Olá! A Barbara Wilson tem outros artigos também que citam o que é reabilitação. Passo o artigo que é uma referência sobre o conceito.
      Wilson, B. How it is and how it might be. Journal of the International Neuropsychological Society. (1997) 3, 487-496.

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