As assimetrias cerebrais – Parte I

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Não me resta dúvida alguma de que falar sobre esse assunto é como “chover no molhado”, pelo menos para quem está mais familiarizado com ele. No entanto, considero produtivo escrever aqui algumas curiosidades sobre as diferenças existentes nos nossos hemisférios cerebrais, afinal de contas, há pouco tempo que uma descoberta tão antiga pode ser bem mais explorada com o advento das tecnologias de imageamento cerebral.

Para ilustrar, antes, vou contar um pequeno diálogo que tive com uma pessoa leiga no assunto. Ela me pergunta: “- Escrever com a mão direita é bem melhor e mais fácil, né?

Eu respondo: – Ué, depende! Se você tem mais facilidade de escrever com essa mão, sim. Caso contrário, existem aqueles que têm mais habilidade para escrever com a mão esquerda; para eles é mais fácil ser canhoto.

– Mas escrever com a mão direita é mais fácil porque enquanto se escreve, você consegue ver e ler o que escreveu. Quem é canhoto precisa manobrar-se diante do papel.”

A conversa não se estendeu muito além disso. Não foi difícil explicar que nosso cérebro é formado por hemisférios cerebrais assimétricos do ponto de vista funcional. O difícil mesmo foi convencer o sujeito diante de argumentos eu diria, bem plausíveis, de que essas diferenças existem por uma questão biológica.

Na época dos meus avós e também dos meus pais, quando se começava a frequentar a escola, os professores ensinavam as crianças a escrever com a mão direita. E “ai” daquele que fosse profano, (ops!) quer dizer, canhoto. Usavam-se aquelas réguas de madeira com metros intermináveis para flagelar a mão do pecado. Não entrarei em discussões que remetam a questões religiosas, políticas ou pedagógicas. Mas sim, levanto dois pontos essenciais:

– Primeiro, existe uma diversidade cultural entre os povos, e claro, entre a expressão da linguagem e da escrita. Nós, que fomos influenciados pelo alfabeto greco-romano, aprendemos a escrever de uma forma, da esquerda para a direita. Mas os chineses e japoneses escrevem da direita para a esquerda e em colunas. Já os árabes, escrevem em linhas de cima para baixo e também, da direita para a esquerda. O desenvolvimento da escrita nada tem a ver com ser canhoto ou ser destro. A linguagem e a escrita surgiram como uma necessidade de expressar a arte, a cultura, a história de um povo.

– Segundo (e tema central do post), existe o que chamamos de dominância cerebral. Em todos nós, bons homo sapiens que somos a expressão da língua falada é exercida pelo hemisfério esquerdo. Essa descoberta surgiu com Paul Broca na metade final do século XIX em estudos post mortem de cérebros que haviam sofrido alguma lesão.

Milhares de descobertas surgiram a partir daí, inclusive, de que pelo menos 95% da população é destra devido a essa assimetria funcional. Ficou muito claro que a função dos dois hemisférios cerebrais é exercida de forma invertida. Isto é, o lado esquerdo do corpo é controlado pelo hemisfério direito, e o lado direito pelo hemisfério esquerdo. Isto foi observado em pacientes que após um Acidente Vascular Cerebral, por exemplo, ficavam com um dos lados do corpo paralisado (hemiplegia). Justamente o lado oposto do cérebro que havia sofrido o dano.

Portanto, ser canhoto ou ser destro não tem nenhuma ligação com anarquismo, birra ou teimosia. Mas sim, isto também tem uma base biológica. Aliás, quase tudo, né.

No próximo post, falarei sobre o hemisfério direito. Até lá!

3 pensamentos sobre “As assimetrias cerebrais – Parte I

    • Rafa, que bom que gostou! Sobre sua sua pergunta, é claro que não podemos desconsiderar os resultados dessa pesquisa. Já foi falado muitas e muitas vezes sobre a capacidade dos canhotos em usar, digamos, com mais “propriedade”, os dois lados do cérebro. No caso dessa pesquisa, é discutida a velocidade com que a informação é processada. E sim, provavelmente os canhotos são mais rápidos nesse aspecto, uma vez que além de usarem toda a capacidade do hemisfério esquerdo para o bom funcionamento da linguagem, conseguem ainda colocar para trabalhar o hemisfério direito que controla o lado esquerdo do corpo e ainda exerce seu papel na construção da escrita. Isso significa que eles colocam “todo mundo para trabalhar” de forma mais dinâmica e harmoniosa. Mas precisamos tomar cuidado ao fazer essa leitura. Sempre levanto a questão de que o cérebro trabalha como um sistema interligado com suas várias conexões. As diversas regiões não funcionam separadamente, pelo contrário, trocam informação o tempo todo.

      Como pesquisadora uma ressalva que faço, é que é importante que observemos com cuidado o método que foi utilizado e se esses dados podem ser replicados, pelo menos em termos de tempo de reação. Em breve, falarei sobre o hemisfério direito e seu papel fundamental para a espécie humana.

      Beijos e até lá!

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