As assimetrias cerebrais – Parte II

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Sinceramente, eu não sei se essa leitura agrada e incita mais curiosidade por parte de vocês, caros leitores, mas a mim fascina e muito! E como prometido, aqui vai a segunda parte do meu post sobre os hemisférios cerebrais.

No meu último texto, falei sobre o lado esquerdo do cérebro e o seu papel dominante na esfera da linguagem e da escrita, compondo a grande maioria da população (95%, pelo menos). Recapitulando: o hemisfério esquerdo (HE) do cérebro é aquele responsável pelo lado direito do corpo e exerce um papel fundamental sobre a linguagem, sendo a maioria das pessoas destras.

Do mesmo modo, o lado direito do cérebro atua sobre o lado esquerdo do corpo. Mas afinal, qual seria o papel do hemisfério direito (HD)? Ele está principalmente relacionado com a orientação espacial e percepção do ambiente. Isso inclui necessariamente a noção que tenho da localização do meu corpo no espaço, a percepção de distância e de locais em um mapa geográfico. Mas, além disso, o HD exerce uma função muito importante sobre o reconhecimento de faces, e também sobre a atividade criativa das pessoas.

Resumidamente e bem basicamente, podemos dizer que o hemisfério esquerdo exerce papel verbal, e o direito um papel não-verbal. Extrapolando isso para nosso cotidiano, se conhecermos alguém que tenha sofrido algum AVC ou TCE, por exemplo, e ela apresentar alguma dificuldade de localização espacial, ou algum déficit de linguagem, poderemos então inferir que a lesão pode ter ocorrido em um dos lados do cérebro de acordo com as dificuldades apresentadas.

Importante ressaltar que não podemos ser tão categóricos e dizer: “HE faz isso, e só isso, e HD isso, e só isso”. O cérebro não funciona assim, de modo compartimentalizado. Cada vez mais tem se descoberto que esse órgão maravilhoso atua de forma integrada, interligada e conectada. Isso significa que o hemisfério direito também tem papel sobre a linguagem e o esquerdo também exerce funções sobre a criatividade. No entanto, eles desempenham essas funções de modo diferenciado e menos específicos. Assim, podemos dizer que as várias regiões cerebrais são grandes ESPECIALISTAS em funções específicas, embora possam estar relacionadas com diversas outras funções. Lembrando que os dois hemisférios comunicam-se entre si por um feixe de fibras (o maior de todos) localizado na região central do cérebro, chamado corpo caloso (um dia conto melhor sobre ele).

Pois é, e mais uma vez, terminando esse texto vem sempre aquela mesma e velha frase que libera dopamina no meu cérebro: “Mas que maravilha que nós temos dentro da cabeça! E tem gente que nem se dá conta disso”. Por isso escrevo textos como esse! Que é para divulgar o que sei e maravilhá-los como maravilha a mim S2!

6 pensamentos sobre “As assimetrias cerebrais – Parte II

  1. Pingback: As assimetrias cerebrais – Parte II | July S.G. - Psicologia Cognitivo-Comportamental, Bio e Neurofeedback

  2. O cérebro é mesmo uma maravilha e uma “caixa” de surpresas. Me lembro daquele caso que o menino não tinha uma das metades do cérebro e funcionava normalmente, como é que pode?
    É muito interessante ver como nós em nossa prática somos mais um lado do que o outro também e como é engraçado quando fazemos exercícios que despertam a outra parte, engraçado porque geralmente nos sentimos muitos desengonçados – eu particularmente me sinto.
    E, ao mesmo tempo, como é mágico, libertador e interessante, dá vontade de fazer cada vez mais exercícios para descobrir como é o mundo com o outro lado da cabeça da gente. Certa vez fiz uma experiência um tanto inusitada: cheirei a cidade. Estava indo de carro do Cristo Rei ao Barigui com um colega que foi dirigindo, coloquei a cabeça para fora e fui sentido o cheiro dos lugares por onde passávamos, foi algo inusitado, porém muito instrutivo sobre como cada parte da minha Curitiba tem um cheiro muito diferente. Enquanto me lembro desta experiência fico pensando no meu cérebro naquele dia tentando criar um “mapa olfativo” da cidade… foi muito interessante!
    Abraço

    • Uau! Incrível essa experiência que você fez! Eu por vezes também faço uns testes: começo a fazer tudo com a mão esquerda (sou destra), só pra dar uma exercitada mais no meu hemisfério direito. E não que ele não trabalhe, ou seja preguiçoso, mas precisamos sim ter outros tipos de experiência, estimular e expandir nossa capacidade cerebral que é gigantesca. Muito legal você compartilhar isso aqui no meu blog. Continue acompanhando, Akim!

  3. Agrada sim!

    Eu particularmente acho fascinante como a ciência ajuda a explicar (e a induzir, mas deixemos isso de lado aqui) muitos dos hábitos e preferências do consumidor, e o comportamento humano como um todo.

    Adoraria ler mais textos seus sobre o assunto. É um assunto pouco abordado em blogs brasileiros.

    • Você tem toda a razão, Sylvio. Pouco se fala sobre o quanto a neurociência pode ajudar em termos práticos as diversas áreas, como na publicidade, no Direito, no esporte, na educação, na saúde e na tecnologia. Felizmente temos muitos jovens brasileiros à serviço da pesquisa científica, mas não somos reconhecidos como tais; apenas como meros estudantes de pós-graduação. Nosso trabalho tem um profundo impacto no mundo, é um trabalho de formiguinha, e a recompensa é o amor por aquilo que mais amamos. Obrigada pelo comentário!

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