Três figuras, um legado!

Hoje dedico esse texto a três mentes brilhantes. Duas delas já entraram para a história da Neuropsicologia, e uma continua trilhando este caminho de forma genial! São eles, Alexander Luria, Lev Vygotsky e Oliver Sacks.

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O que me inspirou esse post foi uma conversa que tive com amigos sobre nossos inspiradores, afinal, é importante (porém não obrigatório) termos bons modelos de cientistas e profissionais a serem seguidos. E aí vieram questões como “quem é seu ídolo?”, “em quem você se inspira?”, “quem você admira imensamente?”. Tenho vários inspiradores, mas em termos de contribuição, produção e divulgação da ciência, não poderia deixar de lembrar destas personalidades.

A ideia é fazer um breve resumo das contribuições que eles fizeram acerca do estudo do cérebro. Comecemos então pela ordem cronológica:

LEV VYGOTSKY (1896-1934) era um psicólogo russo que apesar de ter morrido muito jovem (aos 37 anos), fez uma grande diferença no cenário acadêmico. É considerado um dos mais importantes nomes das Teorias de Aprendizagem e como poucos sabem, também na Neuropsicologia.

Vygotsky pode ser considerado um prodígio, pois em pouco tempo formou-se em Direito e doutorou-se em seguida em Psicologia. Fazia leituras e críticas das abordagens vigentes de sua época, dando início ao seu interesse por essa área.

Pouco se sabe, mas como Vygotsky publicou suas obras em russo, infelizmente elas foram muito mal traduzidas e interpretadas. Nem todas as bibliotecas dispõem em suas prateleiras das obras por ele publicadas. E uma questão importante é que as publicações que falam do seu trabalho não são de sua autoria, mas sim de outros autores que referenciam sua obra. Uma pena, porque nada melhor do que beber direto da fonte!

Por ter sofrido uma forte influência filosófica e política em sua época, seu nome é muito associado ao do filósofo Karl Marx que defendia o materialismo marxista. Por isso, Vygostky é considerado um estudioso que se preocupava com o contexto sócio histórico do homem, e também por isso suas contribuições são bastante confundidas, eu diria. Ele foi muito além das leituras que foram feitas do seu trabalho, pois queria entender como o pensamento se forma e como os processos cognitivos e a linguagem são desenvolvidos. Ou seja, seu interesse também era voltado para o estudo do desenvolvimento cognitivo humano, e é claro, do cérebro.

De tão brilhante, Vygotsky ensinou tudo o que sabia a Luria que foi seu discípulo. Vamos à ele:

ALEXANDER LURIA (1902-1977) foi um psicólogo e neuropsicólogo russo, e é considerado uma das mais importantes figuras que se preocupava em estudar o sistema nervoso central. Como sofreu influência de seu mestre, também seguiu essa linha de pesquisa sobre o desenvolvimento humano, mas com enfoque nas funções cerebrais.

Assim como Vygotsky, Luria também estava interessado em estudar os processos de linguagem, desenvolvendo mais tarde métodos de reabilitação da afasia, um distúrbio da fala.

A principal contribuição de Luria veio acontecer anos depois de já ter conhecido seu mentor, quando após a Segunda Guerra Mundial passou a se dedicar a prática de avaliação neuropsicológica do cérebro de soldados que tinham estado na guerra. Seu interesse estava voltado a relacionar as funções cognitivas com áreas cerebrais lesionadas. Desses estudos, Luria destacou em sua obra as três unidades funcionais básicas do cérebro. Por isso é hoje considerado o pai da Neuropsicologia.

Para finalizar, falemos agora de OLIVER SACKS (1933). Médico atuante na área de Neurologia se dedica ao estudo de pacientes com problemas neurológicos. Oliver Sacks é um sujeito bastante incomum e de uma escrita marcante e peculiar. Suas obras se dedicam a relatar casos de pacientes que atende no consultório. De escrita brilhante e humor incontrolável, conta seus diálogos clínicos e relata os diversos tipos de sintomatologia, síndromes e doenças que podem acometer o cérebro.

Para quem não assistiu ainda, recomendo o filme Tempo de Despertar, nome que deu origem ao seu livro e que conta a história de sua atuação como médico neurologista no hospital de Bronx, um condado de Nova Iorque. Resumidamente, Sacks observou que vários pacientes estavam “adormecidos” devido a uma epidemia denominada como “doença do sono”. Seus estudos o levaram a tratar os pacientes com um medicamento novo na época, o L-Dopa precursor imediato da dopamina.

Das obras que mais destacam seu brilhantismo, recomendo O homem que confundiu sua mulher com um chapéu e Alucinações musicais (o título foi mal traduzido, mas a obra é excelente).

Atualmente temos novas figuras tão importantes quanto na área de Neuropsicologia que trabalham direta ou indiretamente nessa área. Mas ouso dizer que nenhum avanço seria possível não fosse o estudo durante anos do cérebro humano, levando ao desenvolvimento das teorias que hoje dispomos. Avançamos muito no quesito tecnologia graças ao estudo intenso dessas figuras. É, eles são demais mesmo.

Ave, Vygostky, Luria e Sacks! Meus grandes inspiradores… Inspirem-se vocês também!

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