Personalidade e o que nosso cérebro tem a ver com isso

Nada de Freud, ou explicações projetivas. Nada de Rogers, nem correntes humanistas e derivados. Não que eu tenha algo contra essas duas figuras importantes da psicologia e seus respectivos movimentos, mas gostaria de falar sobre personalidade de uma perspectiva biológica.

O fato é que é bastante comum na área da psicologia associarmos o tema personalidade a teorias que nada falam sobre suas bases biológicas e nem como esses processos biológicos são importantes para a formação da personalidade única de cada um de nós. Minha tentativa é a de explorar um pouco este outro segmento, portanto.

Sem querer reinventar a roda, mas só para tomar como ponto básico da questão: a personalidade vai se desenvolvendo ao longo da vida como resultado da interação entre fatores genéticos e ambientais.

Pois bem. Temos observado cada vez mais estudos revelando componentes genéticos relacionados a traços de personalidade principalmente em estudos com gêmeos monozigóticos e dizigóticos. Para resumir a história toda, o que estes estudos falam é que os gêmeos monozigóticos que carregam os mesmos genes (diferentes dos dizigóticos que não carregam), mesmo quando criados separados, ou seja, por famílias diferentes compartilhariam as mesmas características de personalidade. Essa é uma das maiores evidências de que a personalidade, ou mais comumente falando, o “nosso jeito de ser” muito tem a ver com nossos cromossomos, genes, DNA, cérebro, enfim.

Sabemos também que muitos dos genes que carregamos podem estar especificamente ligados a traços de personalidade, como por exemplo, a quantidade de neurotransmissores que temos em regiões específicas do nosso cérebro. Tê-los de mais ou de menos determinariam o modo como nossos comportamentos são regulados, e portanto, nossa personalidade também.

Pensando em tempos um pouco remotos, na década de 1950 pacientes psiquiátricos julgados como “pessoas incorrigíveis” eram submetidos a uma cirurgia chamada lobotomia, um procedimento que hoje já caiu em desuso, e que rompia ligamentos do lobo frontal a regiões subcorticais (mais profundas) do cérebro. Este procedimento era realizado como uma forma de alterar aspectos importantes da personalidade. Para quem não viu o clássico filme Um estranho no ninho, estrelado por Jack Nicholson, fica a dica para conhecer mais sobre o assunto

Agora, já puxando uma sardinha para o meu lado, profissionais que trabalham com Neuropsicologia e Reabilitação hão de concordar comigo: quando uma pessoa sofre uma lesão cerebral na região do córtex pré-frontal, por exemplo, ela pode sofrer mudanças fortes na personalidade. De calma, tranquila e introvertida, a uma pessoa extrovertida, desinibida, impulsiva e socialmente inadequada (por ex.: falar que você está gordo(a) e não perceber o quanto isso é indelicado). Já pessoas que sofrem lesão no lobo temporal (região lateral da cabeça) podem se tornar mal-humoradas, metódicas e obsessivas para seguir regras.

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Enfim, não temos como negar que existe uma base biológica fortíssima que nos ajuda a entender ainda mais este fenômeno. Sabemos que traços, características e temperamentos não se constituem de forma única para explicar nossa personalidade. O que nos torna únicos são nossas interações humanas e o modo como nos relacionamos com o mundo. Por isso cada cérebro, é um cérebro, uma identidade particular e intransferível.

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