Avaliação é um norte. Avante!

Caros leitores! Andei observando os textos mais acessados do meu blog e não era para menos. Tive um enorme acesso no tema “avaliação neuropsicológica” e por isso resolvi escrever um pouco mais sobre o assunto já que o povo gostou =)

Para quem está mais familiarizado com Neuropsicologia, pode ser que o assunto fique um pouco repetitivo, o que não elimina o fato de que bons profissionais procuram estudar, pesquisar, enfim, aprofundar seus conhecimentos, e portanto, mesmo para aqueles que já trabalham na área considero o texto útil. Por outro lado, esse texto também pode ajudar você que ainda está curioso em saber como trabalha um neuropsicólogo, ou melhor, como suas práticas vão sendo manifestadas na clínica.

Uma das atividades que mais são exercidas pelos neuropsicólogos é a prática da avaliação. Na nossa área, por exemplo, é bastante comum lidarmos com frases do tipo…

“aquele menino parece esquisito, quase não fala, não interage, será que ele tem um transtorno?”

“minha mãe tem 80 anos e está muito esquecida, já não reconhece as pessoas, acho que ela está com Alzheimer”

“essa criança está muito agitada, talvez tenha TDAH e precisa de um especialista para avaliá-lo”

“meu irmão bateu a cabeça quando caiu de moto e agora está agressivo, impulsivo, fala coisas absurdas para os outros”.

Estudantes, profissionais, colegas ou familiares, não importa quem seja o interlocutor: diariamente ouvimos isso e a única forma de poder responder a essas questões é fazermos uma avaliação neuropsicológica. Como já mencionado no outro texto, a avaliação trata-se de uma prática que auxilia o clínico a investigar funções cerebrais que podem estar comprometidas. Além disto, o uso de instrumentos sensíveis também nos ajuda a compreender o grau de prejuízo decorrente de um problema neurológico, cerebral.

O uso de testes é fundamental para nossa investigação. No entanto, eles não são a única forma de sabermos se existe um prejuízo cognitivo, e como ele interfere na vida da pessoa assistida. Desde o primeiro contato com o paciente, o histórico da doença, os dados atuais, o relato dos familiares, o uso de escalas comportamentais e de humor, escalas para cuidadores, tarefas funcionais e ecológicas, e por fim, a observação clínica, são riquíssimas fontes de informação que quando agrupadas e compreendidas de forma relacional, nos ajudam a perceber o grau de impacto no dia a dia do paciente, ou seja, o quanto um problema cerebral atrapalha a sua vida. Quando conseguimos fazer essa relação, então podemos elaborar em conjunto – o clínico, a família e o paciente – metas para reabilitação e selecionar quais estratégias são mais eficazes para cada caso específico.

Montei um esquema que ajuda a ilustrar de forma clara quais funções podem ser investigadas e como elas podem interferir na vida do paciente. As setas indicam a causalidade entre função prejudicada e impacto no comportamento, personalidade, emoções, interação social e de forma mais ampla, na vida diária.

 

esquema funçoes impacto

 

Um ponto bastante importante é a seleção dos instrumentos que serão utilizados na avaliação neuropsicológica. Este é um momento que exige muita cautela e cuidado, pois mais adiante, sua hipótese cognitiva resultará dos resultados da avaliação e do seu raciocínio clínico. Isso equivale a dizer que se você utilizar testes que avaliam apenas uma parte das funções cerebrais, poderá correr o risco de traçar um perfil neuropsicológico pouco fidedigno e, consequentemente, um plano de tratamento falho ou pouco eficaz. Compreender os déficits do paciente é tão importante quanto conhecer o que está preservado.

Assim, reuniões clínicas, contato com neurologistas, fisiatras, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, e estudo continuado com supervisão especializada de pessoas que trabalham há anos na área farão você se munir de conhecimentos que nortearão efetivamente o seu trabalho.

Neuropsicologia é um conhecimento e uma prática difíceis, mas trabalhar na área é tão gratificante que faz valer a pena.

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