Uma (breve) história da neuropsicologia – parte I

Assim como eu, você já deve ter parado para pensar acerca das coisas que fazem parte deste mundo: como surgiram, como se desenvolveram, e até que ponto seguirão existindo. Sem discussões tão filosóficas assim, considero bastante importante compreender o COMO das coisas, os processos por assim dizer. Se penso assim acerca de quase tudo que me circunda, não seria diferente em relação a neuropsicologia. Por isso, escrevi dois textos para traçar uma linha do tempo destacando os principais marcos históricos do desenvolvimento dessa ciência do cérebro. Na primeira parte do texto, descrevo como tudo como começou e como um pensamento bastante arcaico perdurou por séculos. Darei destaques para os eventos que pessoalmente considero mais importante, mas não tenham dúvidas, meus amigos, existe muita história por trás dessa ciência que tenta compreender até hoje a ligação entre mente e cérebro.

Começarei falando do povo Egípcio. Eles acreditavam que alma e a mente eram sinônimos. Aliás, essa ideia durou por muito tempo dentro da medicina e da filosofia entre o século IV e II a.C. Para eles a sede da alma estava no coração e não no cérebro, que era jogado fora cada vez que um deles falecia.

Já no cenário da Grécia, Hipócrates, considerado o pai da medicina lidava diretamente com seus pacientes e por isso tinha uma visão bastante diferente: na sua concepção, o cérebro era a fonte dos prazeres, das tristezas, do riso e do choro. Ele conferia razão e julgamento ao cérebro, o que foi confirmado pouco tempo depois.

Na mesma época Aristóteles resgatou novamente a ideia de que o coração seria o depositário da mente e que o cérebro era uma espécie de resfriador do coração quando este fazia muito esforço mental. Como suas noções eram apenas teóricas e não práticas, havia uma chance maior de incorrer em erros categoriais.

Assim como Hipócrates, Galeno lidava diretamente com pacientes: eram os gladiadores que sobreviviam às arenas do Coliseu com sérias lesões cerebrais. Na sua concepção, a mente era atribuída ao cérebro, mas mais especificamente aos fluídos, que controlariam o corpo por meio de energias espirituais.

A história é longa, mas não poderia deixar de mencionar René Descartes, que foi um dos principais marcos da história da mente e do cérebro humano. Para ele, mente e corpo seriam entidades separadas, porém interligadas e mutuamente influentes. Esta ideia ficou conhecida como dualismo mente-corpo cuja pergunta central era: a mente e o corpo são distintos, ou seja, são feitos de “materiais” diferentes, ou a mente é a experiência de um cérebro físico? Para Descartes, sim. O principal problema dessas ideias reside no erro lógico de considerar um fator causal entre uma substância imaterial (a mente) e uma material (o cérebro).

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O cartesianismo considerava que memória e imaginação eram produzidos por funções corporais e que a mente era algo divino e diferente do corpo físico. Porém, o maior radicalismo dessas ideias era considerar que o cérebro também afetava a mente, e que os sentimentos eram reflexo do corpo que influenciava os estados mentais. O pensamento cartesiano impulsionou muito a ciência, embora a religião interveio e atrasou o progresso científico em séculos.

Um século e meio mais tarde as ideias de Franz Gall foram consideradas um divisor de águas. Para ele a mente não era unificada, mas sim composta por múltiplos componentes em diferentes partes do cérebro. Suas ideias ficaram conhecidas como a ciência da Frenologia cuja prática era relacionar traços de personalidade com as medidas das saliências do crânio. Valores humanos como benevolência, obediência e justiça eram considerados neste “cálculo”.

Como era de se esperar alguém iria criticar a frenologia. Flourens foi o principal opositor dessas ideias, já que para ele as partes do córtex tinham uma contribuição igualitária para todas as habilidades mentais. O que auxiliou a deduzir isso, era que ele lançava mão de métodos científicos com animais: removia partes do cérebro e observava os comportamentos. Também cometeu erros porque confiava demais nos seus estudos.

Meus caros, lamento encerrar por aqui, mas o objetivo é deixá-los curiosos para a segunda parte que tratará de apontar acontecimentos que mudaram para sempre o curso da história.

Nos vemos em breve!

2 pensamentos sobre “Uma (breve) história da neuropsicologia – parte I

  1. Parabéns pelo seu blog, ótima escrita, ótimo conteúdo. Estou fazendo um trabalho sobre Lúria e nas minhas pesquisas caiu aqui em seu blog que aliás estou mapeando de cabo a rabo rsrs.

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